Tuesday, January 8, 2008

N6: Pedro e o Lobo*

Início - Introdução
Era uma vez um menino chamado Pedro que vivia com o seu avô numa casa bem pertinho de um bosque, a meio caminho da aldeia.
O seu avô avisou-o que era muito perigoso ir brincar para a floresta, e sempre lhe recomendava que deixasse o portão do jardim bem fechado, porque havia um lobo por perto que podia atacar a qualquer momento. Pedro sempre prometia que não iria brincar para a floresta e que teria sempre cuidado.

PP6.1 - O menino pensa na floresta
Um dia, estava muito pensativo a olhar a floresta por cima do portão do jardim, cheio de curiosidade.
- Será que é mesmo verdade que vive ali um lobo? – pensava.
Como todos os meninos, Pedro era muito curioso. Nessa noite, mal dormiu. Aos primeiros raios de sol, levantou-se e resolveu aventurar-se na floresta. Tinha que saber se era verdade o que o avô lhe dissera.

PP6.2 – Na floresta
Ao entrar no bosque, Pedro ouviu:
- Bom dia, Pedro! Madrugaste! – era um passarinho que com ele falava. – O que fazes por aqui?
- Quero descobrir a floresta! – respondeu o Pedro.
- Cuidado com o lobo – avisou o passarinho.
- Ora, eu não tenho medo nenhum do lobo! – disse Pedro com ar valente.
Pedro, agora acompanhado do passarinho, continuou o seu passeio, muito confiante e, quando chegou ao pé de um lago, parou.
No lago havia um pato que nadava, nadava… Até que parou e saltou para fora da água à procura de um pouco de sol!
O Passarinho foi ter com ele e começaram a conversar.
- Olá, o meu nome é Tico e vivo no cimo daquela árvore!.
- Eu sou o Malandreco e o lago é a minha paixão! – respondeu o pato.
Entretanto, o Pedro resolveu entrar na conversa
- Oh Pato, queres uma toalha?
- Não! Não tenho frio!
- Estás todo molhado!
- Se quiseres, vou buscá-la no meu bico" - disse Tico.
- Não sejam palermas! Daqui a pouco estarei seco e pronto para outro mergulho!

PP6.3 – Aparece o gato
Estavam tão distraídos que nem deram pelo gato que se aproximava devagarinho, pata a pata, muito de mansinho.
O Tico era o seu alvo, que de costas continuava a conversar, muito animado. De repente, o passarinho sentiu um arrepio...
O gato lançou-se sobre ele e tentou comê-lo, mas Tico foi mais rápido! Abriu as asas e voou para longe, tão depressa que mais parecia um avião!

PP6.4 – Avô tenta levar Pedro para casa
Uma voz forte cortou o ar como um trovão. A voz do avô do Pedro ouviu-se, muito zangada:
- Pedro, o que é que eu te disse? Anda para casa, já!
- Já vou, avô! Não demoro! – respondeu o menino.
- Cuidado! Olha que o lobo pode aparecer! – avisou de novo o avô. – Anda e fecha o portão!
O avô Silva entrou em casa a falar com os seus botões, muito zangado porque o neto lhe tinha desobedecido.

PP6.5 – Aparece o lobo
Entretanto o gato apanhou um susto enorme ao ver o lobo aproximar-se. Ele estava com um ar faminto e muito ameaçador.
Mas como o gato era um animal muito veloz, conseguiu fugir e subir para o tronco de uma árvore mais rápido do que um tigre e, num segundo, estava seguro no ramo mais alto.
Com o gato fora do seu alcance, o lobo virou-se e viu o pato:
- Uhm! Um pato distraído. Que bom! – pensou.
Aproximou-se com a boca aberta e engoliu-o muito rapidamente.
Ainda com fome, o lobo, a quem chamavam Dente Afiado, olhou para a árvore e mais para cima ainda, como um radar, à procura de alimento.
O seu faro não o enganava! Havia ali petisco!

PP6.6 – Pedro apanha o lobo
O Pedro estava escondido a observar e teve uma ideia para salvar os outros animais do lobo esfomeado e, ao mesmo tempo, poder arranjar uma forma de lhe dar alimento.
Chamou o seu amigo Tico e disse-lhe:
- Voa à roda do lobo e vê se o distrais!
- O que pensas fazer? – questionou o passarinho.
- Depois verás. Agora vai! – ordenou o menino.
O pássaro estava a pôr o lobo maluco!
Enquanto Tico distraia o lobo, o Pedro correra a casa para buscar uma corda. Depois, com muita calma e perícia, atou uma ponta da corda à árvore. Com a outra ponta fez um laço e, como um cowboy, pegou o lobo pela cauda.
O lobo deu urros, sacudiu-se, tentou libertar-se, mas sem sucesso. O nó apertava-se cada vez mais.

PP6.7 - Caçadores
Tinha o Pedro acabado de prender o lobo, apareceram alguns caçadores que, para o ajudar, dispararam vários tiros para o ar.
- Parem, parem! Não é preciso atirar! Eu já apanhei o lobo! - disse o menino.
Os caçadores aproximaram-se e ataram o lobo a um grande ramo que estava caído no chão.
Ao ouvir os tiros, o avô Silva entrou pela floresta com o coração aos pulos, a gritar:
- Pedro! Pedro!
Assim que o viu, Pedro exclamou:
- Não te preocupes avô, está tudo bem!
- Ainda bem! – exclamou o avô Silva. – Mas... essa corda não é nossa? Como veio ela aqui parar?
- É sim. Fui buscá-la enquanto o "Tico" deixava o "Dente Afiado" à nora!
- Foste muito corajoso! Agora já posso respirar de alívio, meu querido neto.

PP6.8 – A caminho da aldeia
Estavam todos muito orgulhosos da coragem do Pedro e, juntos, marcharam em fila até à aldeia para decidir o que fazer com o lobo.
- Viva! Viva! O Pedro é um Herói! - gritavam algumas pessoas.
- Graças a ele já podemos sair de casa! - exclamavam outros.
Toda a aldeia aplaudia à passagem da comitiva, felizes.
Subitamente ouviu-se um grasnar abafado. De onde vinha? O que seria?
O menino e os seus companheiros não queriam acreditar! Era o pato que o lobo engolira de uma só vez ao pé do lago.
- De onde vem o som? - perguntou Pedro.
De novo se ouviu, mais forte, mas abafado.
- Não posso acreditar! Parece vir da barriga do lobo - disse Pedro incrédulo.
- É mesmo! Está a mexer-se! Será que o pato está vivo? - pensou.
O Pedro encostou o ouvido ao lombo do animal que entretanto tinha desmaiado e confirmou as suas suspeitas:
- Tenho a certeza! O pato está a grasnar! Temos que o tirar aqui de dentro.

Num instante, os caçadores abriram a barriga do lobo com todo o cuidado, tiraram o pato, são e salvo, e voltaram a coser o lobo.

Alguns dos habitantes da aldeia queriam ver o lobo morto, outros que o levassem para o jardim zoológico, mas Pedro defendeu-o e disse:

- O lobo é selvagem, no zoo vai morrer! Vamos devolve-lo à floresta, mas temos todos que o alimentar, para que ele não saia de lá, nem assuste ninguém aqui.

Um pouco a medo, todos concordaram com a ideia do menino e assim foi: o lobo foi devolvido à floresta e passou a ter sempre alimento e, assim, os habitantes da aldeia já não tinham nada a temer e poderiam viver em paz e harmonia.

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